Brasil,
década de 90. A sociedade tinha acabado de tirar a mordaça dos anos
de ditadura. Viu logo que, quanto mais se unia e gritava, mais conseguia
forças para lutar por tudo o que então, com uma nova constituinte,
aprendia ser seu direito. A saúde, a educação, ao alimento, ao emprego.
E houve o "boom" das ONGs. É aí, nesse cenário efervescente,
que os autores localizam o início do movimento de responsabilidade
social das empresas. Chama-se de movimento porque ainda é um processo.
Mas, como prefere dizer o diretor do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi,
“é um oceano, não mais uma onda”. Aqui no Brasil, Betinho capitaneou.
Também fundou uma ONG, o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas) e
cutucou os empresários com um chamado contundente: façam algo, senão
em pouco tempo não haverá mais público para quem vender seus produtos.
Forte, não? Mas, pensem bem: nenhum exagero. Recentemente, o presidente
da
Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, disse em entrevista que precisa
ir cada vez mais longe buscar produtos naturais. E que esse “mais
longe” é sempre muito pobre e
carente. Para ter mão-de-obra qualificada nos locais onde vai construir,
para ter um mínimo de serviços básicos nas cidades que receberão
sua entourage, ele precisa agir. As vezes, tomando até o lugar do
poder público. É o que acontece com todas as empresas extrativistas.
Mas, vamos voltar a fita trinta anos. Naquela época, não havia nenhuma
consciencia por parte dos empresários brasileiros. Muitos territórios
degradados estão aí para lembrar quão pouca importância as empresas
davam ao
fato de arrancar árvores, sujar rios, remover pessoas de um canto
para o outro sem nenhuma compensação. Não foi a toa que ficaram
tao mal vistas. Hoje, isso mudou. Mas há quem julgue que as corporações
estão apenas maquiando um jeito de obter lucro com a anuencia da
sociedade.
Prefiro lembrar um fato importante ocorrido nos anos 60 nos Estados
Unidos, quando grupos civis contrários a Guerra do Vietnã começaram
um movimento de
contestação que se espalhou pelo mundo. A proposta era boicotar
a compra dos bens produzidos por empresas americanas. Como reação,
elas começaram a divulgar todas as suas atividades sociais. Era
o poder capitalista se dobrando a opinião pública.
De lá para cá, esse cuidado com a imagem se proliferou entre os
empresários de visão. No dia a dia, as corporações de peso andam
fazendo boas coisas, e é o que interessa. Respeitando o requisito
transparencia, fazem balanços dando conta de seus feitos. As vezes
os enfeitam demais, mas sempre há como driblar tanto invólu-
cro e alcançar as informações que se quer. Mas o melhor dos mundos
ainda está por vir.
Será quando os bons projetos virarem políticas públicas. E será
também quando as corporações pouco se importarem em misturar suas
marcas em prol de projetos únicos, elaborados a quatro, seis, oito
mãos, mas com um único e real objetivo de trazer benefícios ao cenário
social.

Autora: Amelia Gonzalez
Colunista do Caderno Razão Social - Infoglobo
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